Texto Fictício - 02
Após cochilar um pouco, Feliz pergunta à seu companheiro: "Dinho, quem é o inspetor Pingo?"
E Dinho, de bate-proto, responde: "Não tenho a mínima idéia".
Os dois entreolham-se e Dinho levanta-se e pergunta à seu chefe:
-Quem é Pingo?
-Um inspetor.
-Qual seu verdadeiro nome?
-Já que você e esse seu estagiariozinho não tem nada pra fazer, porque não cochilam um pouco?
Os dois ficam calados.Dinho cochicha à Feliz:
-Vamos investigar o caso. Assim, quem sabe, você não é contratado e eu ganho uma promoção?
-Tá bom.
-Então tá. Te vejo amanhã às duas na casa empoeirada.
-Tá. ZZZZzzzzzz
No outro dia, após várias conversas sobre os times flamengo(dinho) e fluminense(feliz), pelos quais cada um torcia, vários cochilos de Feliz e o aumento das olheiras de Dinho, os dois voltam para casa: Dinho, para o apartamento de 30m² que mantém com seu minúsculo salário, e Feliz para a casa de sua mãe, de onde ainda não saiu.
Lá estavam eles, às duas horas da tarde na imensa mansão.Parece que ninguém havia entrado lá.Estava tudo igual.
Inspetor Pingo com certeza abandonara o caso.Nem aqueles riscos de giz no chão, aquelas luvas "higiênicas" estavam lá. Dinho, que com aquelas olheiras mais parecia um mafioso, vai ao banheiro do segundo andar "dar uma olhada no que pode pegar emprestado" daquela casa para as marcas de noites de sono sacrificadas. Mas só encontra dentro de todos os tubos, mesmo os que deveriam conter um creme, o mesmo líquido azul-claro.
Desce correndo as escadas para contar a novidade para Feliz, que estava achando o detergente e os pratos da cozinha muito suspeitos. Dinho grita:
-Olha, burro! Encontrei este líquido azulado aqui em todos os tubos de medicamentos!
-Legal, o assassino gostava de que as coisas fossem limpas.
-O que?
-Isso é detergente. Este aqui que eu estou olhando, ainda por cima.
-Porque não olha a data de fabricação desse detergente que você está segurando?
-Ah, sim...Está riscada.
-Como?
-Riscada.Com uma caneta azul que falha em traços horizontais.
-Não acredito...Até nisso pensaram.
-Mas o que será que o assassino fazia com detergente?
-Não sei.
Feliz sobe correndo as escadas.Abre a porta do banheiro.Mexe no armário de remédios de novo. Dinho sobe atrás e vê novamente o tal armarinho.
Feliz comenta:
-Olha que limpinhas as escovas de dentes!
Dinho tira da haste uma escova de dentes. Nota algo muito estranho: Do lado que devia ser o cabo da escova, há um garfo.
Feliz deduz:
-Se este é um garfo, o outro é uma faca!
E pior. Feliz estava certo.
Os dois fecham os olhos e começam a pensar para que isso serviria.
Ouvem um estrondo.Assustam-se e notam que a porta fechou-se.Dinho tenta abrir. Mas a porta está trancada. Eles tentam arrombar, mas a porta é muito forte.Entram em profundo pânico.